Quem luta pelo Impeachment, luta pela vida e pela garantia de ter, ao menos, comida na mesa”.

Sou operária em um setor que tem uma ligação histórica com a luta por igualdade entre homens e mulheres no mundo do trabalho. As trabalhadoras do ramo vestuário lutam há mais de um século por melhores condições de vida, salário, emprego e segurança dentro e fora dos locais de trabalho.


A cada ano, em cada celebração do Dia Internacional das Mulheres, percebemos que essa luta está longe de obter o êxito que precisamos. A busca por igualdade no Brasil do século XXI, atualmente sob comando do governo mais machista de toda nossa história democrática, se tornou uma questão de vida ou morte, literalmente.


O feminicídio, assim como a violência doméstica, aumentou expressivamente durante a pandemia. Mas não foi só a violência física que aumentou.


Durante a pandemia, assim como em todos os momentos de crise, foram as mulheres as primeiras a serem demitidas. São milhões de trabalhadoras sem emprego, sem renda e sobrecarregadas com as tarefas sobre o cuidado da casa, dos filhos e dos idosos, fato reforçado pela sociedade machista durante o isolamento social.


A fome chega primeiro nos estômagos das mães que, na escassez de alimentos, prioriza a alimentação de seus filhos e filhas em detrimento de sua própria subsistência. O preço dos alimentos e a interrupção do auxílio emergencial são responsabilidades diretas do governo federal para o agravamento desse quadro. Mais um tipo de violência a ser combatido num país que há pouco de orgulhava da segurança alimentar conquistada nos governos Lula e Dilma.


A pandemia agrava, mas não é a culpada. O golpe contra a presidenta Dilma inaugurou uma era de retrocessos que só será interrompida nas urnas, por meio do voto das mulheres. Nesse sentido, nossas ações devem visar o fortalecimento de uma candidatura comprometida com a pauta sobre igualdade e combate do machismo estrutural.


Contudo, derrotar o governo Bolsonaro e tudo o que ele representa, é urgente. Quem luta pelo Impeachment, luta pela vida e pela garantia de ter, ao menos, comida na mesa.


Sorocaba, 08 de março de 2020.


Paula Proença, presidenta do Sindicato das Trabalhadoras na Ind. do Vestuário de Sorocaba e Região, filiado à CUT)