Covid-19: com recorde de mortes, Manga aposta em tratamento ineficaz

Tratamento precoce não é indicado pelas principais entidades médicas do mundo; prefeito investiu quase R$ 60 mil na compra dos remédios enquanto a cidade enfrenta a falta de leitos de enfermaria e UTI





Por: redação SMetal Sorocaba Na mesma semana em que Sorocaba atingiu um número recorde de mortes em 24 horas, o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) anunciou a disponibilização de um “tratamento precoce” para Covid-19, mesmo sem qualquer comprovação cientifica da eficácia.

Entre os dias 14 e 15, a cidade registrou 29 óbitos por conta do coronavírus, o maior número desde março do ano passado. Em menos de uma semana, mais de 60 pessoas que perderam a vida por conta da doença. No total, desde o início da pandemia, 885 mortes foram registradas em Sorocaba e mais de 38 mil casos confirmados.

Além disso, a cidade enfrenta a falta de leitos. Na quinta-feira, 18, cerca de 90 pessoas estavam esperando por uma vaga de internação. No total, 32 pacientes precisavam de leitos de enfermaria, enquanto 58 dependiam de internação na UTI. Nesse cenário, de acordo com publicação da Prefeitura de Sorocaba, “a partir de agora, os médicos da rede poderão prescrever os medicamentos aos pacientes com suspeita da Covid para iniciar o tratamento de maneira preventiva”. O tratamento sugerido por Manga inclui azitromicina e ivermectina e, em alguns casos, paracetamol, dipirona e metoclopramida. Nenhum dos medicamentos citados pelo prefeito tem comprovação científica no combate à Covid-19.

Entidades médicas não recomendam

Uma nota da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) aponta que “as melhores evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no “tratamento precoce” para a COVID-19 até o presente momento”.

O texto, que é assinado pelos presidentes das duas entidades, completa que “as principais sociedades médicas e organismos internacionais de saúde pública não recomendam o tratamento preventivo ou precoce com medicamentos, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), entidade reguladora vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil”.

Modelo fracassou em Uberlândia

O tratamento com base na ivermectina e hidroxicloroquina foi usado em massa na cidade de Uberlândia, Minas Gerais. Lá, o prefeito Odelmo Leão (PP) também distribuiu os medicamentos de graça para população. O resultado foi um colapso no sistema público de saúde da cidade.

Segundo o Diário de Uberlândia, o município, que tem o mesmo porte de Sorocaba, já registra mais de 71 mil pessoas contaminadas e 1.233 mortes causadas pela doença. Os leitos destinados para o tratamento da Covid-19 estão 100% ocupados e fila de espera por uma vaga chega a quase uma semana.

R$ 57 mil em remédios ineficazes

Uma reportagem publicada pela TV TEM Sorocaba, nesta sexta-feira, 19, revela que Manga gastou cerca de R$ 57 mil com os medicamentos, que não são recomendados pelas entidades médicas para o tratamento da Covid-19. Também em entrevista para TV TEM, o secretário de saúde de Sorocaba, Vinícius Rodrigues, declarou que “não há certeza sobre eficácia de 'Kit Covid'” e que usa apenas quem quiser.

Para o presidente do SMetal, Leandro Soares, a política negacionista adotada por Manga vai levar a cidade ao caos. “No momento em deveria estar garantindo mais leitos, mais vagas nas UTI’s, o prefeito adota a linha genocida de Bolsonaro. As entidades médicas já disseram que esses remédios não ajudam e podem causar sérios problemas de saúde”.

Leandro completa que é preciso se levantar contra essa atitude. “Todos que perderam um ente querido para essa doença, sabe a dor que é. Não podemos permitir que isso continue. Temos que nos unirmos e barrarmos essa iniciativa suicida do prefeito Manga”.