Temer promove ajuste seletivo que afeta os mais pobres e poupa aliados


A gestão Michel Temer, que adota o discurso da austeridade, anunciou cortes em gastos sociais, mas defendeu reajuste para servidores e criação de novos cargos. Após críticas à política fiscal da presidenta eleita Dilma Rousseff, aprovou previsão de déficit de R$170 bilhões. Professor de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos aponta “hipocrisia” no discurso do governo, que, para ele, faz cortes “seletivos”, que atingem a maioria da população e poupam aliados do impeachment.


“Todos os economistas do governo Temer eram favoráveis ao ajuste fiscal, passando pelo corte de gastos, independentemente daquilo que estava acontecendo com a economia e com a própria arrecadação tributária. Pelo menos se manifestavam assim quando os cortes eram exigidos da presidenta Dilma”, lembra o economista.


Bastos defende que a realização de cortes, no momento em que a economia aproxima-se de uma forte recessão, acabaria aprofundando as dificuldades, à medida que produziria queda acentuada da arrecadação. “Realmente não é correto fazer os cortes nesse momento. Acontece que eles tinham dito que iam fazer um ajuste muito forte e afirmavam que esse era o grande problema da Dilma (...) O problema é a hipocrisia desses que vinham criticando a realização de gastos e agora apoiam esse tipo de reavaliação do déficit orçamentário”, compara, expondo a contradição entre o discurso enquanto oposição e a prática das mesmas forças agora dentro do governo.